E o que mudou?

Estou aqui mais uma vez tentado "exprimir" o que se passa e o que eu sinto mais uma vez, mas as palavras me faltam, pode ser pelo fato de ser madrugada e eu estar cansado, mas pode ser também porque estou tão confuso que já não sei em que pensar, me inspirar ou por onde começar.
Pode se acreditar que fatos e acontecimentos inexistentes mantém tudo como está, sem mudanças, mas eu discordo com todas as minhas forças -assim como alguém que discorda que o sol se mova-, porque a própria falta de algo, ao longo do tempo, significa mudanças que, no meu caso, tendenciam para a confusão.

Tentarei ser breve e expor o que se passa em minha mente, desprezando a mentira que está em meu coração:
Eu estou cada vez mais obcecado por aquela que, já disse, me encanta verdadeiramente e me resgatou (antes mesmo de acontecer) da Queda que comentei ter ocorrido. Estou sonhando com ela toda noite agora, quando me falam a palavra amor já me vem a cabeça ela, mas, surpreendentemente, nenhuma lágrima escorre pelo meu rosto mais. Eu chego a lacrimejar quando me concentro em minhas lembranças, mas algo em mim me fortaleceu ou, o que é mais provável, me fez aceitar e me acostumar com a "distância", que me impede de chorar, como se eu tivesse perdido esse privilégio ou tivesse passado desse período "pós-paixão".

Eu sempre tive o defeito de ser carente quando esse tipo de coisa acontece (já passei por isso muitas vezes, 5 delas por mudanças de cidade). Sempre me afogo em amizades e, certas vezes, me vejo em "paixonites" ou "quedinhas", para me distrair, como um mecanismo semi-inconsciente de defesa para não tornar tudo pior.
Dessa vez houve algo que só aconteceu uma vez antes: desenvolvi uma "amizade única", é uma amizade muito forte e repentina (não depende do tempo para se formar), tão envolvente e importante que chegou a me confundir seriamente sobre quem eu realmente gosto. Foi coisa de dois dias com essa confusão na cabeça e o resto do período com uma leve suspeita (mesmo agora já sabendo do que se trata). 

Eu me sinto bem acolhido por aqui, esta pode ser outra razão por eu já não conseguir sentir remorso "fisicamente" (chorar), mas ainda me dói pensar nela e cada palavra que aqui deixo é como escrevê-las com uma faca em meu próprio corpo. Ainda assim eu gosto, me agrada essa idéia, me sinto mais junto a ela do que nunca quando pratico esse masoquismo e me ponho a sofrer, afinal só o que me resta dela são conversas frias de dar dor e as belas (mesmo sendo conturbadas) lembranças que estão comigo.

Em outras palavras, nada mudou em termos técnicos e em grandes escalas, mas descobri a minha segunda (da minha vida) amizade única, que me conforta e me distrai para não acabar de vez em desespero, e mesmo assim, desenvolvi um gosto por pensar nela, mesmo me doendo como um pequeno infarte (sim, eu conheço essa sensação), é esse pequeno infarte de todos os instantes que me mostra que ainda há vida, a vida que está com ela. Porque só se percebe que há branco, quando a estrutura do preto enfraquece, que só há luz no fim do túnel quando você cai, tropeça e desmaia sobre ele buscando a saída, que só lembra da vida real quando é desconectado da virtual.

Enfim... É isso.

Leave a Reply