Urros ao vento

Meus urros por ajuda não tem resultado em nada, réles e borradas sombras aparecem em meu caminho, oferecendo sua partes para completar as que perdi. Mas no mesmo momento em que estendem suas mãos, somem e não posso mais sentí-las.
Continuo incessantemente me arrastando por essas areias, catando cada caco, colando cada lasca. Certas partes se tornam inutilizáveis e novas são necessárias. As sombras que tenho visto se multiplicaram, como se houvessem cada vez mais pessoas vibrando pela minha ressureição, umas mais próximas, outras mais distantes.
Todas passam e deixam no meu caminho peças complementares de todos os tipos. Mas ainda não vi nenhum rosto, nenhuma pessoa que se comprometa a doar todos os seus pedaços e se unir ao meus para que eu me recupere.
Prosseguirei a me arrastar, até poder andar novamente e poder buscar aquela que me fará correr outra vez. Aquela que me puxará para uma nova Queda, mesmo que sem saber, de inocência e amor maiores que a própria visão.
"Afinal todos veem aquilo que desejam..."

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