Adeus dói

Dizer Adeus dói, principalmente quando o faz primeiro.
Aos poucos nossas palavras perdem valor e o sentimento gera sintonia. Cada segundo vale mais que horas e o tempo deixa de ser problema, sabendo que tudo se repetirá.
Em teoria, o tempo e a distância desgastam as correntes. Mas em realidade a espera e a saudade consolidam tudo em amor.

Dizer Adeus dói, principalmente quando se ama.
Almas se juntam e esconder algo se torna impossível, assim como exaltação emocional se torna inevitável. Por mais que sempre unidas, o reencontro físico exponencía cada lapso de felicidade.
Em teoria a separação fortalece e amadurece, preparando para algo maior. Mas em realidade quanto maior a altura, maior a Queda, que nos parte quase que infinitamente e nos amedronta até que parte das lascas e cacos se reúna e possamos prosseguir um pouco mais, afinal nunca recuperamos tudo o que perdemos.

Dizer Adeus dói, principalmente quando se empurra o outro para a Queda.
Cada um vê o que quer ver, mas eu vi o real. O sofrimento da espera, que aumenta sua altura ainda mais, é mais doloroso que o sofrimento da Atual Queda que, mesmo te partindo, parte menos. Aqueles que não veem tal realidade preferem continuar subindo, mesmo sabendo, no fundo, que vão em direção a um precipício maior.

Dizer Adeus dói, principalmente quando se sabe que não pode ir em frente só.
Após a queda, só o que resta é prosseguir, lenta e dolorosamente, mas buscando seus pedaços no caminho, buscando aquela que te oferecerá os próprios pedaços para te ajudar. Quando achamos o pedaço da aceitação, que nos força a aceitar o fim, que nos força a aceitar um novo começo, almejamos ajuda. Ajuda de qualquer pessoa, de qualquer lugar, para buscar os outros pedaços junto de ti ou compartilhar os próprios. Ajuda essa que é eminentemente mais forte que nós mesmos, como um novo pedaço, para uma nova queda.

Dizer Adeus dói, mas dizer Olá cura.

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