Inconformado, por não fazer algo ruim

É, estou inconformado por não poder fazer algo que provavelmente desaba tudo em que venho pensando.
Sim, eu pretendo contar a ela o que penso, sinto e venho escondido por "tanto tempo" (aspas porque a noção de tempo nesse caso é um tanto quanto relativa).
E por que digo que não posso? Porque aquelas mensagens, que há pouco trocávamos, sumiram, por que ela cortou o próprio acesso ao nosso único meio de comunicação, que, infelizmente, se chama internet. 
Eu pensava contar a ela justamente no dia em que de minha vista sumiu, então protelei isso para o natal, ou, dependendo do destino de nosso contato, assim que possível. 
Hoje ela reapareceu, mas eu não tinha visto, e sei que reapareceu porque, digamos, na internet tudo deixa rastros, muitos mesmo. E vi que por menos de uma hora a perdi, e por que? Porque teimei em ver um seriado antigo que por anos me fascinou, e hoje, como que por uma epifania, quis ver de novo.
Parei para pensar sobre isso nesse exato momento: e se, por um acaso, eu não DEVA dizer nem mesmo uma palavra à ela?
Parei de pensar em Destino e esse tipo de coisa de "força maior", porque a única "força maior" cuja existência eu considero, não acredito que se importe com isso.
Ela tem uma definição, no mundo metafórico:
Olhos negros e profundos, de reprovação aparente, e digo aparente pois ainda tenho as esperanças de que ela goste de mim, e que a reprovação que ela sempre mostrou era uma forma de esconder tal fato, assim penso eu; rosto bem curvado e macio, que denota delicadeza mas ainda assim personalidade; lábios cheios, que mostram seu conteúdo, pois ela sempre me soou inteligente; cabelos negros de mistério, nunca tive o privilégio de conhecer o mundo dela, lisos de uniformidade e curvos nas pontas que mostram a capacidade dela de ser flexível e/ou insegura; Sorriso único, não parece nunca um falso, sempre cheio de felicidade, até mesmo quando, infelizmente, é porque eu saí do mundo dela.
É assim que a vejo, que a defino, e hoje, eu estava animado com meus amigos, com meus projetos, mas me lembrei do que estava acontecendo e me deprimi, tentei criar um projeto sobre ela, quem me conhece pode imaginar o que falo. Mas cheguei em metade ao planejamento do projeto, e me faltou imaginação, me faltou ânimo, e não poderei prosseguir até que eu desabafe para ela.

E esse foi o meu desabafo, para você que está lendo, no momento em que algo acontecer, ou deixar de acontecer retorno a transcrever em texto meus pensamentos e acontecimentos.

E o que mudou?

Estou aqui mais uma vez tentado "exprimir" o que se passa e o que eu sinto mais uma vez, mas as palavras me faltam, pode ser pelo fato de ser madrugada e eu estar cansado, mas pode ser também porque estou tão confuso que já não sei em que pensar, me inspirar ou por onde começar.
Pode se acreditar que fatos e acontecimentos inexistentes mantém tudo como está, sem mudanças, mas eu discordo com todas as minhas forças -assim como alguém que discorda que o sol se mova-, porque a própria falta de algo, ao longo do tempo, significa mudanças que, no meu caso, tendenciam para a confusão.

Tentarei ser breve e expor o que se passa em minha mente, desprezando a mentira que está em meu coração:
Eu estou cada vez mais obcecado por aquela que, já disse, me encanta verdadeiramente e me resgatou (antes mesmo de acontecer) da Queda que comentei ter ocorrido. Estou sonhando com ela toda noite agora, quando me falam a palavra amor já me vem a cabeça ela, mas, surpreendentemente, nenhuma lágrima escorre pelo meu rosto mais. Eu chego a lacrimejar quando me concentro em minhas lembranças, mas algo em mim me fortaleceu ou, o que é mais provável, me fez aceitar e me acostumar com a "distância", que me impede de chorar, como se eu tivesse perdido esse privilégio ou tivesse passado desse período "pós-paixão".

Eu sempre tive o defeito de ser carente quando esse tipo de coisa acontece (já passei por isso muitas vezes, 5 delas por mudanças de cidade). Sempre me afogo em amizades e, certas vezes, me vejo em "paixonites" ou "quedinhas", para me distrair, como um mecanismo semi-inconsciente de defesa para não tornar tudo pior.
Dessa vez houve algo que só aconteceu uma vez antes: desenvolvi uma "amizade única", é uma amizade muito forte e repentina (não depende do tempo para se formar), tão envolvente e importante que chegou a me confundir seriamente sobre quem eu realmente gosto. Foi coisa de dois dias com essa confusão na cabeça e o resto do período com uma leve suspeita (mesmo agora já sabendo do que se trata). 

Eu me sinto bem acolhido por aqui, esta pode ser outra razão por eu já não conseguir sentir remorso "fisicamente" (chorar), mas ainda me dói pensar nela e cada palavra que aqui deixo é como escrevê-las com uma faca em meu próprio corpo. Ainda assim eu gosto, me agrada essa idéia, me sinto mais junto a ela do que nunca quando pratico esse masoquismo e me ponho a sofrer, afinal só o que me resta dela são conversas frias de dar dor e as belas (mesmo sendo conturbadas) lembranças que estão comigo.

Em outras palavras, nada mudou em termos técnicos e em grandes escalas, mas descobri a minha segunda (da minha vida) amizade única, que me conforta e me distrai para não acabar de vez em desespero, e mesmo assim, desenvolvi um gosto por pensar nela, mesmo me doendo como um pequeno infarte (sim, eu conheço essa sensação), é esse pequeno infarte de todos os instantes que me mostra que ainda há vida, a vida que está com ela. Porque só se percebe que há branco, quando a estrutura do preto enfraquece, que só há luz no fim do túnel quando você cai, tropeça e desmaia sobre ele buscando a saída, que só lembra da vida real quando é desconectado da virtual.

Enfim... É isso.

Saudades rompem

Já sentiu que não há dor pior do que a saudade? Pois eu sinto agora. Não serei dramático ou egocêntrico (não manterei minha atitude de que tudo parece ser horrível, porque não parece), só serei claro: a saudade de quem se ama dói tanto quanto ouvir da própria pessoa que você não vale nada, friamente dito. Não que isso tenha acontecido, mas ao imaginar como seria tal situação, pode-se lembrar da dor da saudade. Afinal é quase a mesma coisa: partir sem chances de retorno e ser rejeitado, como se estivesse afastado da pessoa, sem chances de retorno. Todos ainda me perguntam: "ainda está apaixonado por ela?", "mas por que? O que você ainda vê nela?", "o que te faz pensar que vale a pena?", e a resposta sempre é: "porque ela vale mais a pena do que tudo, e não importa se dizem que não voltarei, na minha mente eu sempre estou lá", e não pense que essa é uma declaração indireta para ela, pois além do fato de ela não ler estes textos e de nem chegar a reconhecer de que é dela de que falo, estou aqui só "compartilhando" meus sentimentos, sem segundas intenções. 
Eu sempre a escutava por cochichados dizer coisas que eu sei, eram da minha imaginação. Já viu a capacidade que o ser humano tem de imaginar diálogos em cima de algo que não pode se escutar bem? Você já deve ter passado por isso. Ela não me suportava (afinal, poucos me suportam), sempre discutíamos (não sei por que estou enfatizando isto, eu sempre discuto com todo mundo) e eu sempre mantinha minha emoção ao pensar nela.
Mas enfim, vim aqui desta vez me expressar a respeito da falta que ela me faz e da força de imaginação. Eu acredito, ou melhor, imagino, que ela goste de mim quase tanto eu sou apaixonado por ela (ou que pelo menos ela gostava, até eu me mudar), e que ela também fica imaginando que é dela de que falo, SEMPRE. Imagino que ela sonhe comigo, da mesma forma que eu sonho com ela, sempre nos reencontrando, juntos, como eu penso que deveria ser. Eu imagino que sejamos próprios um para o outro, pois somos idênticos, mesmo que não nos comuniquemos bem. Eu não só imagino, como eu SINTO, que tudo é recíproco, pois tudo que eu queria, era ter a certeza de que sou eu quem mais existe no mundo dela. 
E este é meu desabafo, abalado pela saudade, gerado por meses de reflexão, encorajado pela distância e pela crença de que ou ela não vá ler, ou de que ela não vá reconhecer. E esses são os sonhos de um adolescente apaixonado, incomum e dentro de seu "mundinho de contos de fadas".

A Mudança

Assim como previsto, perdi novamente a estrutura que estava construindo e fui jogado em um novo caminho, para começar tudo novamente, quase como ter de nascer outra vez, só que com os pesos da mente e da memória. Durante a viagem, fiz inúmeras notas mentais, para compartilhar aqui, mas já estou postando atrasado, não me lembro de todas e nem vem mais ao caso, mas posso lhes dizer o seguinte:
Sofri uma trapaça do Destino, no jogo da Vida, apostando a estabilidade. Talvez isso seja muito dramático, talvez seja muito metafórico, mas, em outras palavras, foi o que aconteceu. Desde que nascemos começamos o jogo que é a Vida, sendo conduzido pelo Destino, seu oponente (o que já é a própria desvantagem competir com algo ou alguém com o poder de mudar seus caminhos) e o jogo consiste em seguir a vida e não cair nos buracos que o Destino planta à sua frente e se cair, aguentar, exatamente como em um jogo de tabuleiro, em que se jogam os dados e se decide se vai prosseguir muito ou pouco, e cada ponto em que se para te dá uma decisão de vida, determinada, logicamente, pelo nosso caro Destino. Para ganhar, como já dito, "basta" aguentar o que lhe aparece ou, dependendo do humor do Destino, lutar para se manter no eixo, no caminho à linha de chegada (o "basta" foi praticamente sarcástico já que não é nada simples se manter em pé frente aos terremotos e furacões armados). Cansei um pouco de ser tão melancólico e metafórico, então serei direto quanto ao meu estado atual:  já não estou apaixonado pela pessoa mencionada nos primeiros textos, não é frieza de esquecer tão rápido nem tampouco falsidade de manter isso por tanto tempo, foi um momento de clareza que me veio durante a viagem: eu já não a amava, era só algum peso ou saudade, estava interessado realmente em outra, que já estava a pensar há certo tempo - a mesma do relance de ódio poucos meses atrás. 
Para quem está perdido, farei uma linha do tempo:
até abril-2009 estava perdidamente apaixonado pela primeira, mas então fui afastado para um novo caminho e pouco tempo depois disso me apareceu a seguinte (por favor não leve "primeira" e "seguinte" como frieza, vulgaridade ou falta de apego, talvez depois explique melhor) que me encantou lentamente, por seus pequenos detalhes que o tempo fragmentou até perceber que não pensava em mais nada além dela, foi algo quase que doente, inclusive me envolvi em tristes histórias (uma delas provocou o relance de ódio mencionado).
Se fosse uma pequena paixão ou uma simples atração, hoje já teria esquecido, e há certas pessoas que eu "levaria em conta" se assim fosse, mas não é assim, ainda penso nela e toda noite a memória me carrega. Talvez quem me conhece já tenha uma idéia de quem é, então peço que se tem teu palpite, me fale, estou um pouco curioso a respeito da minha clareza.